segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Entrevista com Elvira Alexandre - Produtora do "Fantasia" e Bom dia e Cia"

Ela trabalhou no SBT por mais de dez anos como coordenadora de produção, e com vasta experiência no meio dos bastidores televisivos Elvira Alexandre cedeu um pouco de seu tempo para nos presentear com essa entrevista que está repleta de recordações e curiosidades super interessantes sobre o tempo em que trabalhou com Jackeline no Sbt, confira:


Elvira iniciou sua carreira no meio televisivo trabalhando com Gugu, posteriormente ainda no Sbt também  trabalhou com Angélica, Eliana, Fantasia, Jackeline, Celso Portiolli e Moacyr Franco. Em 2002 migrou para produções independentes e em 2006 pra Band onde trabalhou como roteirista do Sabadaço de Gilberto Barros e em seguida teve passagem pela Rede TV.


CJP: Elvira, é um prazer recebê-la aqui na "Central Jacky Petkovic", obrigado por dividir suas lembranças com a gente. Agora me conta, como foi que você conheceu a Jackeline?

Elvira: Eu conheci a Jackeline no ano de 1998 no programa Fantasia que era dirigido pelo Paulo Santoro, uma pessoa muito querida minha, amigo até hoje. A Jackeline era uma das mais novinhas, e eu cuidava dela e das outras 70 meninas, junto com a produção. Teve uma época que a Jackeline ficou doente e não podia gravar o programa, mas ela ia lá e ficava lá sentadinha. O Silvio Santos adorava o Fantasia e tinha muita preocupação com as meninas, e eu cuidava delas com muito carinho.


CJP: Como era a rotina do preparo do “Bom dia e Cia" ?

Elvira: Antes do programa acontecer a gente tinha que providênciar o pedido para montar o cenário porque o estúdio era usado por outras pessoas. Temos que providênciar tudo, mandar o texto para ela antes, ver qual artista vai poder participar, coisas normais de um programa. Se não me engano as gravações eram uma vez por semana, no máximo duas, a gente costumava gravar mais de um programa porque era diário. Tínhamos que cuidar da Jackeline, da Mimi (Michelle Giudice) que era bem pequenininha e do Renato, que era o Gugui, éramos encarnados dessas três pessoas. As vezes iam convidados cantar no programa, então tinha uma parte da produção que cuidava do convidado, e outra parte de colocar os personagens pro Renato falar.


CJP: E no “valendo” como funcionam as gravações? 

Elvira: O programa tinha o formato de novelinha, era texto, tinha que passar texto toda hora, marcar a posição no cenário, ver como ela iria falar, qual entonação seria melhor. Tudo era texto, e todo mundo tinha que decorar, menos o Renato porque como ficava escondido podia ir acompanhando a leitura. Quem tinha mais trabalho era o diretor que analisava se estava bom, e se não estivesse  tinha que repetir de novo até ficar perfeito. Eu gostava, era bem divertido, bem diverssificado, porque a cada programa era uma histórinha diferente.


CJP: Era uma grande responsabilidade?

Elvira: Sim. Produzir um programa é isso, deixar tudo pronto, tudo mastigadinho para quando o apresentador chegar no dia dar certo.


CJP: Vocês fizeram algumas externas, como funcionava a dinâmica fora dos estúdios?

Elvira: Eu viajei duas vezes com o "Bom dia e Cia". A primeira vez fomos somente eu, a Solana (redatora), o Rogério (editor) de produção, e o diretor. Foi quando o SBT fez a semana inteira na festa de Barretos. Então a Solana escrevia os textos e eu produzia tudo sozinha, eu levantava as seis da manhã e já ia pra ala infantil, que se chamava "Peãozinho" andar procurando quais curiosidades seriam interessantes de ela gravar. Então eu passava para a Solana, ela escrevia e passava para o diretor que passava para a Jackeline. Foi muito cansativo, porque levantava cedo para dormir tarde. Mas valeu a pena, foi muito gratificante. 


CJP: Tem alguma história curiosa dessa viagem para contar pra gente? 

Elvira: Tinha a parte dos índios, que eram índios de verdade e nós gravamos com eles, ficaram me pertubando dizendo que o Cacique estava interessado em mim. A gente foi em uma parte que havia o campeonato dos peões e andando por lá eu conheci dois caipiras, caipiras mesmo de andar com viola na mão e despertador no bolso. Perguntei se eles queriam participar do programa, conversei com o diretor que achou legal e eles apareceram também. Eu não lembro o nome deles, mas eles ficaram famosos depois, o dinheiro do cachê que eles ganhavam eles guardavam em uma meia.



CJP: Quanta história legal, e qual foi a outra externa que você participou? 

Elvira: A outra externa que eu fui foi no Beto Carrero World. Dessa vez foram mais pessoas da produção, fomos eu, a Solana, uma produtora e uma estagiária, só que eu ia na frente para ver o que era melhor para gravar, e na hora da gravação em si eu não ia porque eu ficava vendo o que ia faltar para gravar no dia seguinte. Foi super cansativo mas foi muito gostoso porque pelo menos o Beto Carreiro é muito bonito né?



CJP: Com certeza, é mesmo! E quem era o mais engraçado da equipe? 

Elvira: O Renato (Gugui) era muito palhaço, a gente viajava com ele dando risada o tempo todo, era muito bom, porque a Jackeline ia em um carro separado e a produção em outro, então o Renato ficava fazendo as palhaçadas dele que é o que divertia a gente.


CJP: E como era trabalhar com a Jacky?

Elvira: Era bom trabalhar com ela, sempre foi educada com a gente, muito atenciosa, muito amorosa, não era grossa como alguns artistas são, compreendia e entendia tudo que a gente falava. Procurava fazer o melhor de si.


CJP: Vocês chegaram a se reencontrar depois que saiu do "Bom dia"? 

Elvira: A única vez que a gente se reencontrou foi um tempo depois quando eu estava trabalhando na Rede TV, eu fui até a um camarim ver o apresentador e encontrei com ela porque ela iria participar da Luciana Gimenez, aí ela me viu e me deu um abraço muito forte, carinhoso e a gente ficou conversando um pouco.

E essa foi a entrevista com Elvira Alexandre, não se esqueça de seguir a Central no Instagram (clique aqui) e esperar por mais novidades.